terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Guirlandas


Tempo chuvoso. Noite de dezembro.
Não precisa de palavras para demonstrar afeto.
Aprecio sua simples companhia, num momento como esse,
em que dedicamos nosso tempo a montar a árvore de natal.
Uma relação tão difícil termos hoje em dia, que a distância engole.
Distância não física, mas emocional, temporal, mental.
Mas é época da magia. Assim, tudo é possível.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Até o Fim

Se você quer saber o que sinto nesse exato momento
Eu te digo que agora a agonia é uma voz pequena,
quase inaudivel na cabeça
Anti-depressivos, que se dane.
A minha sensatez é desequilibrio
E eu sou egoísta por excelencia
E um tanto quanto masoquista.
Lá fora faz calor, aqui dentro eu só quero te beijar.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Concreto e alvenaria


Terra dura e fria
o solo em que piso
é prisão e acalento
que me impede de voar.

Terra de cimento
mãe doce,
protege e acalma
traz a segurança necessária
para que não possa alcançar as nuvens.

Minhas amarras,
a pouca sensatez,
tão contraditória com o designio dos astros,
é esse desencanto.
Faz-se melhor que a ilusão
que me trancava e fazia sonhar.

Pois eu digo, feliz,
as nuvens podem ser clausura
mas o cimento é chão,
estrada, rota de fuga.
É a segurança de um pesadelo.

domingo, 29 de novembro de 2009

Peixes

Não há no ser humano nadadeiras, escamas, guelras. Ainda sim alguns de nós insistem em ser cardume.

Nadar contra a correnteza, embora algumas vezes seja útil, também pode ser uma grande perda de tempo. E o tempo é como esse rio caldoloso que corre sempre pra frente. E enquanto a gente nada, em vão, de costas para ele, não percebe a armadilha terrivel: estar sempre parado no mesmo lugar.

sábado, 28 de novembro de 2009

pequena história de amor que nunca aconteceu


Você a trata bem e quer saber do seu dia. Ela sorri e te conta com estusiasmo o quanto seus problemas lhe cansaram, como seu cabelo estava, ter pensado em filhos, e que nunca tinha visto uma goiabeira tão carregada. Você sorri e conta cada dente branco que se mostra no sorriso. Agradável. Mal consegue imaginar o que ela fala. Mas você percebe como ela fala, e cada gesto que ela faz, e todos os nove diferentes sorrisos que ela dá e o cheiro - ai que cheiro! - de erva doce que sai de seus cachos negros. Mas então o tempo passa. O tempo passa.

Você já não pergunta do dia, mesmo que ela queira te dizer. Com o tempo as coisas vão morrendo. Os pequenos detalhes vão sendo abrandados, como reles deixada de lado. Os detalhes, as cores vão morrendo. Ela quer ainda contar seu dia, mas você mal percebe. As suas respostas ao que ela diz ficam mais lentas. O tempo passa.
Você fica mudo. Ela se cala. As conversas se tornam apenas cotidianas, "como vai a familia?". Vocês sempre foram amigos - conhecidos, talvez menos que isso até. A possibilidade (tola), que um dia ela cogitou de te beijar parece ridicula. A proximidade é inexistente. A intimidade , antinatural.

Assim, sem cor ou som, morre um amor que poderia ter sido grande, como todos os grandes amores são. Não há dissidência, não há conflito, nem garrafas quebrando. Mas as coisas se aquietam e você não perguntará. Ela também nunca mais dirá. De repente tudo que se tinha pra dizer, fez-se nada. Esfarelou-se. E as migalhas foram deixadas pra trás numa mesa de bar, junto com marcas de copos de café, cinzas de cigarros, entradas para um filme que nunca será visto, de uma história de amor entre duas pessoas que estiveram ali e se foram.

sábado, 21 de novembro de 2009

meio da conversa

...tudo que me incita, excita, o ódio das suas atitudes, o interesse manisfesto, os joguinhos de manipulação, o tesão que me corroi, tanto tanto que dói...

- Pensar em você sorrindo diante de tudo isso me deixa nervosa. Não quero que dê certo. Dar certo é o que dá mais medo.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

GORE


Quero violar a tua crença
quero cortar toda a tua carne
vou arrumá-la em pedaços
vou esconder sua paz.
vou derramar o silêncio
vou incendiar o seu rumo
Quero arrancar sua lingua
Ver o sangue jorrar vermelho e bonito
Ver surgi-lo vivo
Sim, sim, sim!

E quando você estiver lá
Desfalencendo
Quando o cheiro do sangue vir amargo
Sem nada mais o que perder

Vou encher de beijos as chagas do teu corpo
Vou fazer sexo com sua carne
E gozarei como uma louca
Vou te cantar uma canção de amor
Farei cafuné nos seus cabelos
Chorar por fim
Cair aos prantos
Não, não, não!

Morrer com você.

Adolescer, Adultizar


Com A letra A apaixona-se.

do olhar, nasce a palavra,
da palavra
escreve-se amor
na maçã fresca da boca
em forma e gosto de beijo

do amor, nasce um sonho
e muitos outros
de que são feitos outros planos
"dessa vez vai dar, eu sei"

Com a letra A também
no muro da sua casa,
com cacos de tijolo e pedaços de giz
se escreve Algodão
que é um tipo de sonho que desfaz ao vento

doce meu,
um dia
acaba frágil às tormentas
às pisadas tolas de um cachorro,
a qual comida se ofereceu
à mão bruta que o sustenta
firme, tal ponto à estrangulá-lo

Então, escreve na raiva,
repetidas vezes
Arrependimento,
Amargura,
Assassínio,
Asco, Algoz, Atroz,
a dor - ardor no peito!,
enquanto você abusa de mim
choro sem sossego,
alto em baixo do chuveiro.
Sufoco.
É um A à tinta-tinteiro num papel de carta velho

por fim o Adeus
escrito no ar, no vento, no tempo.
sentenciado,
pra ir embora e sumir
libertado Adeus, Alivio do coração.

Todo dia é assim.
Todo Amor, Asco, Arrependimento e Adeus que nasce em mim.
Mas um A é único e permanece.
e prevalece e se sobressai e ultrapassa qualquer que for
é com o A que se Aprende.
Assim.
Até o próximo Amor.

domingo, 15 de novembro de 2009

Quer saber?

Sou.
A diva.
A bela.
Mais sexy.
Boa de cama.
Linda.
Absoluta.
Sou única e sem mim não viveria.
Me amo mais que tudo tudo tudo.
E no fundo
nem sei o que tudo quer dizer.
Afinal
A gente tem que vencer.
Tem que ser bonitona.
E se achar divina.
Tem que se equilibrar no salto,
se pintar, bordar,
sorrir e sorrir e sorrir.
E se num momento quarta-feira
de repente se perguntar da tristeza aparente
"Porque faço isso comigo?
Por acaso gosto da sensação de dor?
Aprecio humilhação gratuita?
Sou amiga das minhas bestas e das alheias?"
Esquecer rapido, rapidinho
Viver na futilidade,
porque isso é confortável.
É a margem segura do pensamento.
É a linha de ouro, o cabo de aço,
a corda de salvação.

sábado, 14 de novembro de 2009

Gosto e Não Gosto de Você

Se você é a última bolacha do pacote, pode até se dizer saborosa.
Mas só não se esqueça que a última sempre vem quebrada.
Há uma coisa inexplicável entre nós, que faz com que não nos matemos.